Impacto da mudança climática é maior do que se imaginava
A mudança climática global está ocorrendo mais rapidamente do que se acreditava e seu impacto é pior do que o esperado, informa um esboço ainda não publicado da aguardada segunda parte de um relatório da ONU obtido pela "Spiegel Online"
O clima do mundo já está fora de controle? Será que a poluição das últimas décadas está tendo um impacto no presente? Isto é exatamente o que o Painel Intergovernamental para Mudança Climática da ONU teme: a influência humana ao longo dos últimos 30 anos "teve um efeito reconhecível em muitos sistemas físicos e biológicos", escrevem os autores de uma ainda não divulgada segunda parte do relatório sobre mudança climática global de 2007.
Segundo a informação obtida pela "Spiegel Online", o Painel Intergovernamental para Mudança Climática (Ipcc) está convencido de que o aquecimento global já está fazendo o mundo suar. Pelo menos esta é a essência do "Sumário para os Autores de Políticas" de autoria de um grupo composto por centenas de cientistas.
A segunda parte do relatório será apresentada em abril, em Bruxelas, após as discussões finais com representantes de governos de várias partes do mundo. O meta-estudo certamente terá um grande impacto político no debate em andamento sobre a mudança climática.
Acúmulo de evidência: a mudança climática está acontecendo agora
A principal conclusão do relatório é que a mudança climática já está tendo um efeito profundo em todos os continentes e em muitos dos ecossistemas da Terra. O esboço apresenta uma longa lista de evidência:
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Mortes provocadas pelo calor, cheias, secas, tempestades
O painel climático da ONU espera "um aumento de mortes, ferimentos e doenças causados por ondas de calor, cheias, tempestades, incêndios florestais e secas". O esboço do sumário para os autores de políticas detalha "mortalidade relacionada ao calor" especialmente na Europa e Ásia.
Várias centenas de milhões de pessoas em regiões costeiras densamente povoadas - particularmente deltas de rios na Ásia - estão ameaçadas pelo aumento do nível dos mares e pelo crescente risco de cheias. Mais de um sexto da população do mundo vive em áreas afetadas por fontes de águas de geleiras e cobertura de neve que "muito provavelmente" desaparecerão, segundo o relatório.
Especialistas em clima detalham as conseqüências potenciais para grande parte do mundo incluindo a Europa, África, Ásia, Américas, Austrália, Nova Zelândia, regiões polares e pequenas ilhas do Pacífico. Para a maioria, o aquecimento global terá efeitos negativos tanto para os seres humanos quanto para o meio ambiente de grande parte do planeta. Os aspectos positivos - como melhores produções agrícolas e de florestamento no norte da Europa - serão mais que superados pelas ameaças representadas pela elevação das temperaturas e os perigos que a acompanham.
O esboço também deixa claro quão fortemente os autores apóiam suas previsões. A maioria das conclusões pertence à categoria dois, que significa que os pesquisadores as apóiam com "forte certeza". Algumas são designadas "certeza muito forte", incluindo o exemplo de que a América do Norte será atingida por mais fortes incêndios florestais e ondas de calor nas grandes cidades, assim como a suposição de que a mudança climática representa um maior risco para as pequenas ilhas Estados.
Mais comida no norte e uma Terra possivelmente mais verde
O relatório também lista conseqüências positivas específicas devido ao aquecimento global - mas espera-se que sejam de uma natureza efêmera.
Os especialistas aparentemente não têm preocupação com a capacidade mundial de produção de alimentos. As condições para a agricultura provavelmente melhorarão em latitudes mais altas, levando a uma maior produção global geral. Mas ao mesmo tempo vários países em desenvolvimento provavelmente serão atingidos por períodos maiores de seca - ameaçando suas populações com a fome. O painel climático espera que a produção no norte e no sul apenas começará a declinar assim que as temperaturas ultrapassem mais de três graus Celsius. No geral, eles atribuem uma "confiança média" às suas previsões sobre produção de alimentos.
O aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera da Terra inicialmente ajudará o mundo vegetal. O crescimento da vegetação será mais forte e o planeta se tornará mais verde. A absorção de CO2 pela vida vegetal até certo ponto trabalhará contra a mudança climática, mas não para sempre. "Na segunda metade do século, os ecossistemas terrestres se tornarão uma fonte de carbono que então acelerará a mudança climática", alerta o relatório do Ipcc.
A capacidade dos oceanos do mundo de absorver CO2 também deverá estar esgotada até o final do século 21. Àquela altura eles poderão começar a liberar gases responsáveis pelo efeito estufa em vez de absorvê-los.
Nações ricas também em risco
Apesar de que os habitantes dos países mais pobres, em desenvolvimento, provavelmente serão aqueles que sofrerão mais com a mudança climática, o relatório do Ipcc deixa claro que os países industrializados mais ricos, como os Estados Unidos, também correm risco. A América do Norte, alerta o relatório, não está preparada para "os crescentes riscos e perdas econômicas causadas pela elevação dos mares, tempestades e cheias". O relatório do Ipcc também detalha explicitamente a ameaça representada pelas tempestades tropicais. A mudança climática deverá aumentar o número de furacões fortes, o que leva à preocupação de que as seguradoras poderão se recusar a cobrir danos em regiões ameaçadas por tais tempestades, como Nova Orleans e o restante do Golfo do México.
Assim como fizeram na primeira parte do relatório do Ipcc, divulgado em fevereiro, os especialistas em clima alertam que a poluição do ar e os gases responsáveis pelo efeito estufa provavelmente terão efeitos duradouros, já que o clima do planeta reage lentamente às mudanças. Já é "fato consumado" que as temperaturas médias perto do solo aumentarão mais 0,6 grau Celsius até 2100, segundo o relatório. A humanidade não terá escolha a não ser se adaptar às mudanças climáticas.
Segundo informação obtida pela "Spiegel Online" no final de fevereiro, o painel climático exigirá mudanças radicais e investimento maciço contra o aquecimento global na terceira parte do relatório, que deverá ser divulgado em maio em Bancoc. Cerca de US$ 16 bilhões serão pedidos até 2030 e a humanidade tem apenas até 2020 para reverter a tendência.
Não se sabe se o sumário para os autores de políticas será divulgado na forma atual. Representantes de vários países lutaram em torno da linguagem da primeira parte do relatório até o último minuto antes de sua publicação. Porque, é claro, tanto para os cientistas quanto para os políticos, faz uma grande diferença se as conseqüências da mudança climática serão "prováveis", "muito prováveis" ou "praticamente certas".
Tentando te perceber mulher
quero na verdade conhecer
limito-me a olha-la,
sem tentar ver lógica,
não racionalizo como ciência...
me limito a decorar seus traços
seus contornos com paciência
com a ponta dos meus dedos,
sentir-te toda,
teus lábios quentes, boca em sorriso,
olhar por entre a blusa as curvas do teu corpo
me imaginar ali...
Onde o teu corpo se perde, me acho num só
encontro desejos nus na tela...
quente, singela, paixão que arrebata,
me cala, me faz fantasiar.
Imagino o teu cheiro no ar que respiro,
sinto o sabor dos teus lábios, da tua lua,
caminho minhas mãos dormentes
na seda que é tua pele...
tateio curvas na esperança de ver
os lugares mais escondidos,
do teu fogo, do teu arder tímido
querendo querer, mais,
querendo você sempre mais!
Primeiras mudanças na biologia antártica
O quebra-gelo "Polarstern" localiza espécies colonizadoras nos fundos revelados pelo degelo
O colapso de duas grandes geleiras - Larsen A e B - na península Antártica, causado pela mudança climática desde 1995, deixou a descoberto um dos ecossistemas mais virginais do planeta: 10 mil quilômetros quadrados de fundo marinho que estavam há dez milênios enclausurados sob uma impenetrável capa de gelo de 200 metros de espessura.
Os cientistas a bordo do quebra-gelo "Polarstern" foram os primeiros a ver essa paisagem alienígena, e o que viram os deixou assombrados: bandos de holotúrias e ouriços de águas profundas, camarões gigantes, novas espécies de esponjas silicosas e densas colônias de ascídias em crescimento vertiginoso, recém-chegadas depois da fratura da última geleira, em 2002.
A expedição do quebra-gelo de pesquisa alemão durou dez semanas, de 23 de novembro de 2006 a 30 de janeiro de 2007. Trabalharam a bordo 52 cientistas de 12 países associados ao programa Censo da Vida Marinha (CoML na sigla em inglês), dirigido pelo Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha.
O "Polarstern" fará outras três expedições para estudar a biologia do Antártico durante o Ano Polar Internacional (a partir de 1º de março próximo; www.ipy.org).
Os pesquisadores usaram um veículo operado por controle remoto para captar imagens muito nítidas e para coletar cerca de mil espécies, e consideram provável - enquanto esperam uma análise mais sistemática - que várias delas sejam "novas para a ciência".
O entorno da península Antártica onde ficavam as geleiras Larsen A e B é a região da Terra que está se aquecendo mais depressa, segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, recém-divulgado. O primeiro objetivo da expedição era capturar uma cena o mais recente possível da biologia naquele retiro de gelo antes que se perdesse para sempre.
Mas o segundo é surpreender em flagrante novos colonos: as espécies que estão aproveitando neste momento a descoberta de um mundo proibido durante 10 mil anos. "A fratura dessas geleiras abriu porções enormes do fundo oceânico, quase intocadas, seladas por cima durante pelo menos 5 mil anos, possivelmente 12 mil no caso de Larsen B", afirma Julian Gutt, ecologista marinho do Instituto Wegener e cientista-chefe da expedição.
Os pesquisadores se surpreenderam ao encontrar diversas variedades de lírios-do-mar, ou crinóides, parentes primitivos da estrela-do-mar que costumam viver colados ao fundo por um pedúnculo, em águas não muito profundas. Também descobriram abundantes holotúrias (pepinos-do-mar) e ouriços-do-mar.
A geleira Larsen A desmoronou em 1995 e a Larsen B em 2002. Em ambas as regiões há agora esponjas silicosas, que são os animais mais primitivos do planeta. Eles se caracterizam por um crescimento muito lento e estão representados, sobretudo por formas juvenis (larvas), o que indica que essas espécies são recém-chegadas à região. Além disso, sua abundância é muito mais rara em Larsen A do que em B: em sete anos acontece muita coisa.
"Enquanto suas famílias comemoravam o jantar do ano velho em 12 países", destaca a organização em uma imagem inspirada, "os especialistas a bordo do poderoso quebra-gelo de pesquisa registravam descobertas extraídas de águas geladas a 850 metros abaixo do horizonte da península Antártica, uma zona de mudança no sentido mais fundamental."
Um dos pesquisadores da expedição do "Polarstern" era o oceanógrafo Enrique Isla, do Instituto de Ciências do Mar do Conselho Superior de Pesquisa Científica, em Barcelona. Isla vai analisar no instituto as valiosas medições que fizeram dos sedimentos antárticos e da coluna de água sobre eles. "Vão contribuir para esclarecer por que há tantas semelhanças entre os hábitats das grandes profundidades e os dessas zonas que estavam sob as geleiras", adianta Isla.
Apesar de os sedimentos sob as placas Larsen não passarem de 850 metros de profundidade, compartilham traços biológicos com as fossas oceânicas, que chegam a quilômetros.
"O que aprendemos com a expedição Polarstern é a ponta do iceberg, literalmente", diz Michael Stoddart, pesquisador australiano do Censo da Vida Marinha. "Os conhecimentos dessa e das outras expedições que virão nos próximos meses vão esclarecer como as variações climáticas afetam as espécies associadas ao gelo que vivem nessa região", continua.
"Fomos surpreendidos com a rapidez com que um hábitat tão novo foi utilizado e colonizado pelas baleias rorqual, e em densidades consideráveis", acrescentou o pesquisador alemão Meike Scheidat. "Isso indica que o ecossistema mudou consideravelmente na coluna de água."
O desmoronamento das geleiras Larsen foi um fenômeno espetacular, mas o lento derretimento do gelo tem conseqüências mais sutis. Por baixo do gelo, explica Stoddart, crescem as algas do plâncton que alimenta os crustáceos na base de uma cadeia trófica que termina nos pingüins, nas focas e nas baleias. A Antártida está mudando.
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