Bussunda morre aos 43 na Alemanha; Globo e governo alemão preparam translado.
da Folha Online
O humorista Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda, 43, do programa "Casseta & Planeta Urgente!", morreu hoje, em Munique, vítima de um ataque cardíaco. Bussunda estava na Alemanha desde o início da Copa acompanhando a seleção brasileira junto de parte da equipe do programa humorístico.
Bussunda sofria de asma há anos e sentiu falta de ar durante jogo de futebol ontem com os colegas. O humorista voltou então para o hotel para descansar e disse apenas estar cansado.
Hoje pela manhã, Bussunda voltou a sentir falta de ar durante o café, mas teria se recusado a ir para um hospital. Dois paramédicos no hotel iniciaram o atendimento quando o humorista teve um ataque cardíaco fulminante.
Outros três componentes do "Casseta & Planeta", Hélio de
O bom burguês
O cineasta Domingos Oliveira, que abre hoje o Festival Cinesul, no Rio, com o inédito "Carreiras", fala sobre a fama de alienado, critica o cinema novo e defende a superioridade das relações humanas sobre a política
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O cineasta Domingos Oliveira, durante entrevista, em sua casa, no Rio |
No dia em que deu uma festa para todas as pessoas do mundo -ou, ao menos, todas as que ele conhecia-, Domingos Oliveira perdeu a memória. Ou parte dela.
Lembra-se que beijou boa parte dos convidados, bebeu da imitação de uísque servido na banheira e acordou seminu na manhã seguinte. Nada mais.
Domingos Oliveira é o tipo de sujeito que -numa época em que tudo, a política e mais um pouco dividiam- dava festas amplas, gerais e irrestritas.
Naqueles 60, havia no ambiente cultural do Brasil o cinema novo e os outros. Oliveira era dos outros.
Enquanto Glauber Rocha (1939-81) preparava "Terra em Transe" (1967), Oliveira lançava "Todas as Mulheres do Mundo" (1966). "O assunto mais importante do mundo são as relações humanas. De vez em quando, as relações humanas passam pela política, mas nunca me pareceu que fosse o único assunto", diz o cineasta.
Ao optar por um cinema voltado às aflições individuais, o diretor sabia que ganhava o apreço do governo militar e o desprezo dos colegas.
Direita
"Sempre fui chamado de alienado. No Festival de Brasília, ganhamos 12 prêmios com "Todas as Mulheres do Mundo". Ganhamos tudo, porque o filme era muito encantador mesmo e, além disso, a minha aparição era grata à direita", afirma.
Se o cinema novo olhava para Oliveira de viés, ele também tinha suas restrições ao grupo. "O cinema novo foi um movimento muito limitado artisticamente pela proposta política. Era um grupo de intelectuais, muito bem intencionados, às vezes muito talentosos, mas nunca escreveram sobre suas vidas ou sobre as vidas dos amigos, sobre as coisas que entendem bem e podiam falar com profundidade. Trabalharam o tempo todo sobre um tema que conheciam pouco", diz, em referência à miséria social e à política, temas prediletos do movimento, que teve em Glauber Rocha seu maior expoente.
A divergência, no entanto, não impediu que Oliveira e os outros se tratassem com cordialidade. Às vezes, mais do que isso. Ao lado de Leila Diniz (1945-1972), com quem era casado, Oliveira assistiu no Rio de Janeiro à estréia de "Deus e o Diabo na Terra do Sol". Tornou-se admirador empolgado da obra.
"Acabou o filme, fui ao banheiro fazer xixi. Ao meu lado, fazendo xixi, estava o Glauber. Eu o abracei muito emocionado, dizendo: seu filme é uma maravilha, tenho orgulho de ser seu contemporâneo, todas essas besteiras que a gente diz quando está entusiasmado. O homem me abraçava firme dizendo: "Não sou eu, é o sertão. Não sou eu, é o sertão'", lembra.
A admiração de Oliveira pelos filmes de Glauber parou aí. "Os outros não são tão bons, porque carecem de narrativa, de controle sobre a própria obra. Mas o que Glauber queria, que era entrar em curto-circuito com seu próprio inconsciente, ele chega perto em "A Idade da Terra". É uma proposta altamente artística, de grande magnitude", avalia.
A crítica cinematográfica foi a primeira atividade intelectual de Oliveira. "Quando era menino, com 10, 12 anos, tinha um caderninho em que desenhava meu bonequinho depois de ver um filme, [para registrar] se tinha gostado ou não."
O crítico mirim "era um pouco exigente, como sou até hoje, no sentido de ter a pretensão de reconhecer o que é arte e o que não é", diz Oliveira.
É uma pretensão para além do cinema. Ator, dramaturgo, encenador, além de cineasta, Oliveira é um multimídia que experimentou também a TV, onde diz que aprendeu muito, mas de cuja capacidade didática ele hoje duvida.
Televisão
"Na TV não se pode errar. Quem não pode errar não pode acertar. É simples assim. Todos os atores representam a medo, à cautela, ou seja, representam mal pra caramba, com raras exceções, dos que conseguem perder o medo de errar."
Se já não é palco para Oliveira, a TV é o universo de seu mais recente filme, "Carreiras", que abre hoje o Festival Cinesul, depois de passagens premiadas pelos festivais de Gramado e de Paris. (Leia ao lado.)
Adaptação de texto teatral de Oduvaldo Vianna Filho (1936-74) , "Carreiras" acompanha a apresentadora de TV Ana Laura (a atriz Priscilla Rozenbaum, mulher de Oliveira) que, na casa dos 40 anos, está prestes a ser escanteada na emissora.
A obsolescência profissional de Ana Laura tem um ponto de contato com as reflexões que hoje mais interessam Oliveira, que completa 70 anos em setembro: a passagem do tempo e os efeitos da idade.
"Enquanto o fazia, perguntavam-me sobre o filme, sobre o que ele falava. Porque não era a mesma coisa que a peça do Vianna, não era sobre a demolição do establishment. Não botava a culpa em ninguém. Naquele tempo da esquerda, se botava a culpa. Havia os bandidos e os mocinhos", declara. "Cheguei à conclusão que o filme fala sobre a distância que vai entre a vontade e o desejo."
Desejo
Domingos defende que "o seu real desejo raramente coincide com a sua vontade". "Você tem vontade de ir à festa, e não é verdade. Você está com vontade de ficar em casa e não sabe. Você acha que deve ir à festa", exemplifica.
Esse descompasso entre o que quer o indivíduo e o que dele espera a sociedade -que, afinal, revela a face política e libertária das desavenças de Oliveira com sua geração- é reavaliado agora pelo diretor, sob o prisma do envelhecimento.
"Chegar a essa harmonia entre a vontade e o desejo é que é o barato da velhice. Esse barato tem. A gente fica mais inteligente um pouquinho. Minha cabeça nunca funcionou tão bem. Mas a queda da idade é triste. É horrorosa."
Longe de ser um alienado sobre sua própria condição, Oliveira convive com a decadência da idade, sem desistir da rivalidade com a morte. "Não concordo. Minha posição é contra a morte, o homem não pode admitir. Quem diz que aceita mente. Você pode aceitar racionalmente, saber que vai morrer. Mas, enquanto estiver vivo, vai ser contra. Não fui ao enterro de Leila. Raramente vou a enterros, a não ser que humanamente seja necessário para alguém. Sou contra", afirma.
Oliveira buscou nos amigos Aderbal Freire Filho e Paulo José os pares que o ajudarão a tratar da velhice nas telas. Seu próximo projeto é um filme com as "confissões" dos homens de 70.
Apesar das parcerias, Oliveira permanece como um outsider no plano geral do cinema brasileiro. Ao estender sua condição "marginal" a toda a produção cinematográfica do país, ele termina por fazer uma avaliação próxima à do cinema novo. "Cinema é quase uma festa para a qual a gente não foi convidado. No terceiro mundo, cinema é difícil."


Alemanha se safa no final!
Mesmo em noite em que a pontaria não foi o forte da Alemanha, a seleção anfitriã da Copa do Mundo conseguiu se aproximar das oitavas-de-final com a vitória por 1 a 0 sobre a Polônia em Dortmund, em confronto que abriu a segunda rodada do grupo A da competição. Neuville marcou nos acréscimos e deu a vitória aos donos da casa.
Com o resultado, a Alemanha se isola provisoriamente na liderança da chave, com seis pontos. Isso significa que, se o Equador (3 pontos) derrotar a Costa Rica (sem pontos) nesta quinta, os alemães já terão a classificação assegurada. Por sua vez, a Polônia, com duas derrotas em dois jogos, tem chances remotas de avançar no Mundial.
No jogo desta quarta em Dortmund, a Alemanha encontrou muito mais dificuldades em relação à estréia contra os costarriquenhos. Nem mesmo a estréia do capitão Michael Ballack inspirou ofensivamente a equipe de Jürgen Klinsmann.
O meia, que havia desfalcado a equipe na estréia em razão de uma lesão, foi bem marcado durante todo o jogo e não funcionou como municiador do ataque.
Na frente, a dupla Miroslav Klose e Lukas Podolski, ambos nascidos na Polônia, teve boas oportunidades de gol, principalmente no primeiro tempo. No entanto, não conseguiu dar a vantagem no placar à seleção anfitriã da Copa, ora pela competência do goleiro polonês Boruc, ora pela falta de pontaria. Coube então ao reserva Oliver Neuville assegurar a vitória, quando o confronto parecia caminhar para o empate.
Por sua vez, a Polônia viveu de lances isolados de Ebi Smolarek, ídolo local do Borussia Dortmund. Mas, com raras oportunidades para finalizar, a seleção do técnico Pawel Janas foi um adversário que se limitou a tentar destruir as jogadas de ataque dos alemães.
Em um dos poucos lances destacados de Ballack no jogo, aos 9min do primeiro tempo, a bola foi servida a Klose, que bateu cruzado e exigiu grande defesa de Boruc.
Kaká
Eleito melhor em campo pela Fifa (Federação Internacional de Futebol Association), o meia-atacante Kaká disse que faltou criatividade à seleção na vitória contra a Croácia, por 1 a 0, em Berlim. E frisou que, apesar de Ronaldo ainda não estar 100%, seria importante uma maior movimentação por parte do atacante.
"O Ronaldo ainda não está 100%. Um pouco mais de movimentação da parte dele seria o ideal", disse Kaká. "A vitória foi muito importante, mas faltou movimentação para criar os espaços. Precisamos de mais movimentação e criatividade", sentenciou.
Atuando mais pela direita, Kaká esclareceu que o posicionamento inicial do ataque foi o esperado, mas que durante o jogo poderiam ser feitas mudanças para confundir o rival. "A posição incial do quadrado é essa, comigo atuando pela direita e o Ronaldinho pela esquerda. Durante a partida, temos liberdade para se mexer em campo. Acho que hoje faltou um pouco mais de movimentação para criar espaços", comentou.
Ao analisar seu próprio desempenho, Kaká disse que cumpriu seu papel em campo, mas concordou que ainda pode melhorar. "Eu comecei bem, fazendo um gol, participando das jogadas da seleção. Acho que fiz a minha parte", analisou o ídolo do Milan, autor do preciso chute de pé esquerdo aos 43min do primeiro tempo que selou a vitória na estréia.
Kaká afirmou ainda que não ficou surpreso com o placar final magro, e se mostrou aliviado com a vitória na estréia, mesmo que pelo placar mínimo.
"A gente esperava isso. [A Croácia] É um time difícil, que veio fechado. Foi o primeiro jogo, contra o adversário mais forte do grupo pela sua tradição", opinou. "Além disso, tem aquela pressão de ganhar e convencer, de dar espetáculo, e isso sobrecarrega os jogadores. Hoje, não foi o ideal, mas começar ganhando é muito importante".
Entretanto, o meia disse que não gostou da pressão croata em busca do empate no fim do jogo, quando os rivais conseguiram alguns arremates e alçaram bolas perigosas na área do Brasil.
| KAKÁ EM NÚMEROS |
| Finalizações: 4 |
| Finalizações certas: 1 |
| Passes certos: 40 |
| Faltas recebidas: 5 |
| Cruzamentos: 3 |
| Bolas recebidas: 58 |
| Dribles certos: 4 |
| Bolas perdidas: 10 |
"A gente sofreu um pouco, e isso não pode acontecer", reclamou o camisa 8, que observou, ainda, que a defesa precisa se aprimorar, especialmente no flanco direito, por onde jogam Cafu e Lúcio. "Acho que temos que organizar um pouco melhor a defesa, especialmente no lado direito, por onde a Croácia atacou muito e nos fez sofrer um pouco".
O próximo compromisso da seleção brasileira é contra a Austrália, no próximo domingo, às 13h. Os "Soceroos", como são conhecidos os jogadores australianos, lideram o grupo F da Copa do Mundo: têm os mesmos três pontos que o Brasil, mas leva vantagem no saldo de gols - 2 a 1. "Acho que o próximo jogo será melhor, já sem a tensão de uma estréia", comentou Kaká.
Já a Croácia pega o lanterna Japão, que também não tem nenhum ponto, mas amarga saldo negativo de dois gols após perder por 3 a 1 dos australianos na estréia. O jogo acontece no mesmo dia, mas às 10h da manhã.
O Gol


De olho no Brasil

Parreira diz em entrevista que manterá o mesmo time que começou hoje contra a Austrália!

Goleada de 1 X 0
A Croácia já foi!

Brasil estréia com "o pé esquerdo" de Kaká!

Acabou o peso da estréia...de agora em diante relaxar e jogar!


Estréia Brasil !!!!!!!!!!!!!!





Zico mexe mau e Austrália vira o jogo!
Em um dos jogos mais movimentados da Copa do Mundo até aqui, brilhou a estrela do australiano Tim Cahill. Recém recuperado de contusão, ele entrou no segundo tempo e marcou dois gols na virada da Austrália sobre o Japão por



"Os Jogos Olímpicos sempre foram um reflexo bem preciso da geopolítica internacional", diz a revista britânica The Economist, lembrando das disputas entre soviéticos e alemães contra norte-americanos no passado, e a disputa que se anuncia entre os mesmos americanos e chineses em Pequim, em 2008.
"Em contraste, a Copa do Mundo tem sua hierarquia própria, que é divorciada da ordem global. Nela existe apenas uma superpotência: o Brasil", diz a revista.
Uma amostra estatística rápida explica o critério para qualificar os brasileiros como donos da bola. Na mesa da entrevista coletiva deste domingo, onde estavam o técnico Carlos Alberto Parreira, o lateral Cafu, o atacante Ronaldo e o coordenador técnico Mario Zagallo, havia 22 Mundiais somados em experiência.
"Nós somos os franco favoritos, não é da nossa boca não. É da boca de (o alemão Franz) Beckenbauer, da boca de (o francês Michel) Platini. Nós nos preparamos muito bem, mas não estamos copiando ninguém aqui. Estamos copiando a preparação que foi feita no Mundial passado, na Copa da Confederações", disse Zagallo, campeão mundial quatro vezes.
Ele lembra que em nove Copas disputadas na Europa, só uma vez, em 1958, um time não europeu venceu no continente, e por isso avisa que o Brasil terá que ser humilde e aplicado. "A seleção vai ter que transformar o impossível em possível", disse.
Outro elemento que contribui para o carisma que cerca a seleção brasileira antes da estréia no Mundial é a tradição de não enfrentar times classificados em amistosos antes do início da competição.
Mesmo na era da internet e dos espiões globalizados, ninguém sabe ao certo o status do time brasileiro antes da estréia oficial. A expectativa e o respeito que cercam a estréia da seleção paralisa as atenções.
O ex-secretário de estado dos EUA, Henry Kissinger, escreveu um artigo de três páginas na última edição da revista Newsweek explicando aos norte-americanos como devem acompanhar e aproveitar o maior show esportivo do mundo.
Veterano de sete finais olímpicas, ele escolhe Pelé de 1970, Maradona de 1986 e Zinedine Zidane de 1998 como os melhores de todos os tempos, avisa aos leitores que já reservou espaço em sua agenda para estar presente na final do dia 9 de julho em Berlim, e sugere que a presença do Brasil no jogo decisivo irá garantir emoção e uma torcida exuberante ao maior espetáculo da Terra.
Um espetáculo onde a seleção brasileira é tratada por todos não simplesmente como um time de favoritos, mas como a única superpotência do único esporte verdadeiramente global.
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