Suécia empata por 0 a 0 com Trinidad

Uma das tradicionais forças européias nos Mundiais, a Suécia estreou em sua 11ª Copa do Mundo com um mero empate por 0 a 0 com o então desconhecido Trinidad e Tobago, neste sábado, no Westfalenstadion, em Dortmund, tomado por 62.959 espectadores. A partida completou a primeira rodada do grupo B, que começou com o triunfo da Inglaterra sobre o Paraguai por 1 a 0.

Querendo quebrar um jejum que já dura 48 anos - desde 1958 a Suécia não estréia com vitória em Copas - a equipe nórdica entrou em campo com sua força ofensiva máxima, composta pelo badalado trio Fredrik Ljungberg, Henrik Larsson e Ibrahimovic. O trio tem, neste Mundial, a chance de provar seu valor também na seleção nacional, já que por seus clubes (Arsenal, Barcelona e Juventus, respectivamente) os três têm sucesso.

Mas o trio encontrou dificuldades para encaixar seu jogo. Além de não estarem com a pontaria em dia, encontraram em Trinidad uma zaga acertada e agressiva - que em diversos momentos abusou da violência. Mesmo jogando o segundo tempo inteiro com um homem a mais, os suecos não foram eficazes o suficiente para superar a defesa tobaguiana.

Já Trinidad, uma das equipes mais desconhecidas do Mundial, mostrou sua cara: um futebol relativamente cadenciado, que procura o toque de bola quando tem a posse, mas afobado na marcação, abusando das faltas duras. Seu capitão e jogador mais famoso, o atacante Dwight Yorke, "sumiu" em campo e tocou na bola poucas vezes, na maioria delas ajudando a zaga. Ainda assim, foi eleito o melhor em campo pela Fifa.

Com os resultados do dia, a Inglaterra fecha a rodada na frente no grupo B, com três pontos ganhos e um gol de saldo; Suécia e Trinidad vêm na sequência, com 1 ponto, à frente do Paraguai, única equipe que não pontuou. Trinidad consegue, logo em sua estréia, seu primeiro ponto em Copas.

O Jogo
A partida começou em ritmo veloz, com os tobaguianos apostando na correria para cima dos suecos. No entanto, o primeiro lance de relativo perigo foi da Suécia. Larsson cavou escanteio, e após duas cobranças, o goleiro Hislop falhou, mas Ibrahimovic chutou em cima da zaga.

Trinidad não se acanhou, e passou a tentar tocar a bola para envoler os suecos. No entanto, sem a bola, os "Soca Warriors" se mostraram afobados, cometendo uma série de faltas duras.

Em uma delas, Ljungberg foi derrubado a poucos centímetros da linha da grande área. Na cobrança, Larsson bateu com violência no canto do goleiro, mas errou o alvo por pouco.

Aos 5min, mais uma chance para a Suécia: Wilhelmsson lançou Ibrahimovic na área; o atacante avançou em velocidade e chutou de perto para boa defesa em dois tempos de Hislop.

A Suécia seguiu melhor em campo, mas Trinidad não se intimidou nos momentos em que manteve a posse de bola, trocando passes e procurando brechas na zaga sueca - evitando os chutões para a frente.

Aos 14min, mais uma jogada de perigo: Wilhelmsson driblou três jogadores e sofreu falta violenta, mas o árbitro apontou a vantagem. Na sequência do lance, Ibrahimovic tentou completar cruzamento da direita com uma meia bicicleta, mas mandou longe do gol. O lateral-esquerdo Avery John, de Trinidad, recebeu cartão amarelo pela falta no início do lance.

Seis minutos depois, a Suécia não abriu o marcador por pouco. Ibrahimovic puxou contra-ataque pela direita e cruzou à meia-altura, com força: Larsson chegou instantes atrasado e por pouco não marcou de "voadora".

Até os 28min de partida, a Suécia havia arrematado a gol em quatro oportunidades, enquanto Trinidad e Tobago não conseguiu concluir nenhuma jogada a gol. Somente aos 32min, Edwards deu o primeiro chute a gol de Trinidad: de fora da área, ele bateu com força, mas viu Shaaban fazer ponte segura para agarrar a bola.

O troco veio aos 37min: Ljungberg fez boa jogada da direita e cruzou no segundo pau. Larsson se antecipou ao zagueiro e, de peixinho, mandou por cima do gol em lance de perigo.

Aos 39min, mais uma chance do time europeu. Wilhelmsson, um dos destaques do primeiro tempo, pegou chute de primeira, com efeito, para boa defesa de Hilsop, que cedeu escanteio. Dois minutos depois, Ibrahimovic recebeu na meia lua, girou e bateu no canto inferior direito, obrigando Hilsop a fazer ótima defesa.

CENAS DO JOGO

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Zebra

Varanda da Saudade:

Varanda da Saudade!


© Popperfoto

Nome: Garrincha
Data de nasc.: 28 de outubro de 1933
Data de falecimento: 20 de janeiro de 1983
Local de nascimento: Rio de Janeiro

O 'Pequeno Pássaro" ferido que levantou vôo para o Brasil

Imprevisível, mágico, elusivo e explosivo são apenas alguns dos muitos adjetivos que as pessoas usam para descrever o adorado Garrincha do Brasil, um dos melhores artilheiros a usar a famosa camisa amarela até então. Com suas habilidades legendárias para o drible e um olho afiado para o gol, ele ajudou os gigantes da América do Sul a triunfar sucessivamente na Copa do Mundo da FIFA™ de 1958 e de 1962.

Se Pelé é considerado o jogador tecnicamente mais talentoso de todos os tempos pelos brasileiros, Garrincha sempre será lembrado por sua imprudência e criatividade. Audacioso, impetuoso e eletrizante, o pequeno ponta direita fazia os espectadores do mundo todo sorrir.

"O Chaplin do futebol"

Mas a vida de Manuel dos Santos, como seus pais o batizaram, nem sempre foi fácil. Ele lutou constantemente durante sua infância enfrentando obstáculos enormes na perseguição de seu amor pelo futebol. Nascido com uma perna seis centímetros mais curta do que a outra em um bairro pobre do Rio, as adversidades se avolumavam desde o início contra o jogador. Anos mais tarde o jovem ignorou os conselhos médicos para desistir do futebol, apesar de ter as pernas muito deformadas por cirurgia corretiva. O famoso apelido 'Garrincha' foi dado por seu irmão mais velho (então com 12 anos) em nome de um dos mais feios passarinhos que habitava o Mato Grosso. "Aleijado, magrela e de pernas tortas com um desvio da coluna" era como ele era descrito quando criança.


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Com perseverança sobre-humana, o "Pequeno Pássaro" não parou por nada para se tornar um jogador de futebol profissional. Em 1953, depois de ser rejeitado por vários times por causa de seu físico anormal, o brasileiro finalmente foi aceito pelo Botafogo por recomendação de outro de seus jogadores, Gentil Cardoso, que tinha sido humilhado pelo jovem de pernas tortas em um treino.

Jogando profissionalmente pela primeira vez, o brasileiro logo começou a mostrar todo o seu repertório de malabarismos e logo estava vencendo seus rivais na brincadeira, com suas corridas em zigue-zague e mudanças de passo inacreditáveis. Os torcedores brasileiros, amantes da habilidade, logo começaram a adorar sua seleção de dribles, fintas e passos de dança, que enfureciam até os melhores defensores. Foi nessa época que ele ganhou os apelidos de "O Chaplin do futebol" e "O orgulho e a alegria do povo".

Continuação:

De que planeta vem Garrincha?

Não demorou muito para Garrincha entrar na seleção nacional, debutando em 18 de agosto de 1955 contra o Chile (1 a 1). Ao todo, seu registro internacional foi de 50 partidas e 12 gols e ele marcou cinco vezes em suas doze partidas na Copa do Mundo da FIFA. Apenas cinco anos depois de sua estréia na divisão, ele se tornou campeão mundial na Suécia, em 1958, o primeiro dos cinco títulos mundiais do Brasil. Foi na Suécia que ele participou de uma força de ataque formidável composta por Didi, Vavá, Mario Zagallo e um jovem precoce de 17 anos, chamado Pelé, que estava apenas começando a atrair as atenções. A seleção verde-amarela de Vincente Feola recebeu outros elogios por incluir a primeira equipe a vencer em um continente estrangeiro e a primeira equipe a terminar a competição invicta.


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O melhor momento de Garrincha ocorreu quatro anos mais tarde, na Copa do Mundo da FIFA de 1962 no Chile. O desajeitado ponta direita foi eleito o jogador do torneio, após o técnico Aymoré Moreira recorrer a ele na ausência de Pelé, que estava machucado. Ele recompensou a confiança de seu técnico com uma série de espetáculos mágicos e quatro gols cruciais, que o levaram à artilharia conjunta do torneio.

"De que planeta vem Garrincha?" perguntou o jornal Mercurio do Chile, após o Brasil ter eliminado os donos da casa na semifinal. Depois de ganhar uma segunda Copa do Mundo da FIFA consecutiva, a reputação de Garrincha disparou tanto em casa como no exterior. Muitas pessoas agora o consideravam o segundo maior jogador da história de seu país, depois de Pelé, campeão de três Copas do Mundo da FIFA.

A decadência do maestro

Seu último jogo no cenário mundial foi na Inglaterra, em 1966, onde ele mostrou fagulhas da genialidade que o tinha tornado famoso. Infelizmente para ele, o time brasileiro de Vincente Feola era uma sombra pálida do time que tinha vencido o troféu quatro anos antes no Chile e foi eliminado na primeira fase, perdendo para a Hungria e Portugal. Garrincha jogou em todos os três jogos, marcando na única vitória do Brasil contra a Bulgária.


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O fenômeno Garrincha transcendeu o futebol. Figurando inconscientemente nos trabalhos de muitos escritores latino-americanos. Eduardo Galeano, um dos mais eminentes escritores do continente e um amante confesso do futebol o descreveu em seu trabalho "Futebol ao Sol e à Sombra": "Quando ele estava em forma, o campo se transformava em um circo. A bola se tornava um animal obediente e o jogo um convite para festejar. Garrincha defendia seu animal de estimação, a bola, e juntos eles faziam jogadas espetaculares que hipnotizavam os espectadores. Ele tocava nela e ela voltava para ele. Então ela se escondia antes que ele escapasse para encontrá-la de novo rolando na sua frente. Enquanto isso, seus perseguidores colidiam uns nos outros tentando pará-lo."

Quanto à sua carreira em clubes, seu clube do coração foi o Botafogo onde, em 12 temporadas, ganhou três títulos São Paulo-Rio, dois campeonatos cariocas e marcou mais de 230 gols. Ele foi para o Corinthians em 1966, antes das temporadas na Colômbia e na França, embora então seu auge já tivesse passado.

'Anjo de pernas tortas'

A vida reservou cartas cruéis ao irrepreensível 'anjo de pernas tortas' (como era chamado por um poeta brasileiro) que, embora tenha superado suas deficiências físicas, parecia incapaz de controlar seus vícios. A habilidade do jogador de escapar de dificuldades em campo o abandonou quando seu alcoolismo e boemia admitidos custaram-lhe caro demais nos últimos estágios de sua carreira. Mendigo e sofrendo de cirrose do fígado, o prodígio morreu precocemente aos 49 anos. Seu corpo foi velado no Estádio do Maracanã, onde milhares de fãs prestaram-lhe a última despedida. Seu caixão foi coberto por uma bandeira do Botafogo e ele foi levado para o último local de descanso em sua cidade.

No cemitério onde Garrincha está enterrado há um pequeno memorial expressando o amor do Brasil pelo bicampeão mundial. Ele diz: "Ele era uma criança doce / Falava com os passarinhos".

Como jogador

Prêmios internacionais

Times

Prêmios

 

 

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